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Mostrando postagens de janeiro, 2022

CONVERSA COM MEU NETO CAETANO

                          ¨CONVERSA COM MEU NETO CAETANO¨     Um dia, num futuro não tão distante assim, sentarei com meu neto, num banco de praça, à sombra do ipê que plantamos e contarei a ele minhas estórias. Passagens hilárias ou não, que o farão lembrar do seu ¨abuelo¨ branquelo que o ama muito. Contarei da visita de seus pais para falarem da gravidez que geraria este lindo ser. Eu disse de sopetão: É menino! Não sei qual a convicção que me levou a isso, só sei que comecei a amá-lo a partir daí. Quero que você saiba das minhas aventuras e desventuras. Começarei falando de uma lembrança de quando eu era muito pequeno. Meu pai me aplicou uma injeção de penicilina e eu quase morri. Só lembro dele me levando a cavalo para o médico da vila. Me salvei, descobriram que eu era alérgico àquele medicamento. Já fase de adolescente, eu e meus irm...

BEM EU

                                                  ¨BEM EU¨   Nascera inquieto. Antes do tempo e de seu tempo. Não gostava de ficar parado. Dizia sua mãezinha que se mexia tanto que não parava enfaixado (antigamente as crianças eram enfaixadas após o nascimento, sei lá prá que). Seus olhos sempre procuravam algum ponto no horizonte. Cresceu assim. Sempre procurando o que fazer. Como morava no sítio, gostava de plantar árvores, flores, cuidava dos animais. Se preocupava com a natureza. Gostava da geografia das coisas e das histórias que ouvia ao redor da fogueira, sentado no terreirão de café, com primos e amigos em noites enluaradas. Quando deixaram a roça, acabou fazendo o que mais gostava. Ser professor de história. E suas his...

LAMENTO SERTANEJO

  LAMENTO   SERTANEJO   Meu jesuizinho, ocê qui é tão bão, qui inté morreu pregado na madeira por nóis, faiz um favô, pida pro vosso pai indireitá esse nosso Brasil. Óia, eu sou um sertanejo dus antigo, prá mim, um fio du bigodi é lei, é palavra dada e cumprida. Eu levanto cedinho todo dia, móio meus pé no orvaio da manhã prá juntá as vaquinha e tirá leite prá muié e os netinho. Trato das galinha e dos porco, tudo cum carinho. Falando em galinha, as minha quando bota, faiz um baruião danado, inté parece que tão botando ovo di ema. Uma gritaria sem fim. Diferente daquelas branquela qui vive presa a vida inteira, comendo   sem pará e quando bota nem pia. Acho qui é prá num acordá us dono. Tá tudo muito diferente. Inté as música sertaneja perdero o sintido. Só fala em dor di corno. Gosto daquelas qui canta as beleza du sertão, das coisas bunita da roça i do luar... Otro dia eu tava com minha muié, sentadinho no tronco do jatobazeiro qui tem na frente di ...