VELHO FILHO DA PUTA.

 

VELHO FILHO-DA-PUTA!

(Educai as crianças e não será preciso castigar os homens.)

 

                                                                       Prof. Sebastião Grégio

 

 

Foi assim que se referiu o aluno da quarta série do ensino fundamental, ao diretor do colégio onde estuda.

Motivo: o diretor foi chamado pelo inspetor de alunos para resolver “o pobrema de uns alunos que estavam chutando apostilas”.

Era o último dia de aulas do ano letivo.

O chutador de apostilas, já estava dentro do ônibus escolar e o diretor resolveu chamá-lo para que recolhesse o lixo provocado pelas folhas soltas (da referida chutada).

_ “Não vou!” esbravejou o pirralho.

_ “Ah, vai sim!”. Por que senão ligo para o celular de seu pai. Retrucou o diretor.

_  “Pode ligar que você vai ouvir um monte de merda dele, seu velho “filho-da-puta”.

Repetiu mais duas vezes o insulto.

Ao redor, a saída de outros alunos, que olhavam atônitos.

O diretor levantou a cabeça e retornou à sua sala.

Não ouviu o chamado do inspetor pedindo sua volta.

Telefonou para casa do ofensor. Ninguém atendeu.

Planejou o tempo que o transporte chegaria com o aluno em casa. Esperou um pouco e ligou.

O pai atendeu.

_ “Já está sabendo o que se passou, senhor pai?”

Não sabia. Pois o filho dissera que não iria estragar o almoço dele.

Contou o ocorrido.

Deve ter estragado o almoço de toda família.

Meia hora depois surge a mãe no colégio. Olhos lacrimejantes, vermelhos, chorando envergonhada.

Pediu perdão pela falta do filho.

Mais com medo da punição, do que pela falta de educação.

Lucidamente o diretor tentou que ela entendesse.

_ “Ele está suspenso amanhã”. Perderá a prova e no retorno converso com ele.

_  “Mas o senhor não pode dar outra punição?” Deixe ele fazer a prova sozinho, à tarde? Qualquer coisa, faça qualquer coisa para que ele não seja prejudicado na prova.

Paro a história aqui.

Quase fui envolvido pelo clima emocional que tomou conta do ambiente.

Teria cedido se não fosse a falta de respeito do menino e a certeza de que a impunidade seria muito mais prejudicial.

Teria cedido se desconhecesse a realidade do casal que não se entende quanto aos “limites” a serem trabalhados com o filho. Para o pai, ele é o “meu garoto”, o hominho da casa.

Teria cedido sim, se não tivesse dialogado, chamado, alertado e orientado o casal durante o ano letivo, sobre o comportamento do menino.

Teria cedido sim, se não tivesse certeza de que era filho de uma santa e não da outra.

Mas...

Educação não pode ser vista isoladamente, sem os envolvidos no processo: pais, professores e escola.

Tem que se ver o todo.

A reação do aluno tem tudo a ver com a postura dos pais em casa.

Se, para não argumentarmos ou não darmos razão a quem de direito, passamos a “mão na cabeça” de nossos filhos ou alunos, não estaremos fazendo nada para que este ser tenha elementos morais, éticos e sociais para crescer respeitando os outros e a si próprio.

Se nós, escola e família, não estabelecermos regras de cooperação, solidariedade, compaixão (aos velhos, principalmente) e princípios religiosos, não podemos chorar pelo Pataxó, pelo mendigo, pela menina presa com 20 homens...

Choraremos por nós mesmos!

Ah! Tinha só 57 anos...

 

 

Prof. Grégio    e-mail gregiogregio@gmail.com

 

 

 

 

 

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